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Vigília Pascal: D. João Lavrador anuncia a Ressurreição como “a maior de todas as notícias”
Na celebração da Vigília Pascal, marcada pela luz e pela esperança, D. João Lavrador apresentou a Ressurreição de Jesus Cristo como o centro da fé cristã, descrevendo-a como “a maior de todas as notícias” e um acontecimento que transforma a compreensão da vida humana e da história.
Ao longo da homilia, o Bispo diocesano destacou que Cristo, ao vencer a morte, revela que a vida não termina no sofrimento nem no fracasso. “Aquele que assumiu a nossa condição humana e esteve connosco até na morte, não permanece no poder da morte”, afirmou, sublinhando que só em Cristo se encontra a plenitude da vida.
Partindo do relato evangélico das mulheres que se dirigem ao sepulcro, D. João Lavrador interpretou este caminho como expressão da experiência humana, muitas vezes marcada pela dor, pela perda e pela desilusão. No entanto, é nesse mesmo percurso que surge a surpresa decisiva: o túmulo vazio.
Segundo o Bispo, este sinal deve ser lido à luz da realidade atual, tantas vezes marcada por violência, injustiça e desesperança. “Somos chamados a descobrir um túmulo vazio no meio dos cenários de morte do nosso mundo”, afirmou, apontando a Ressurreição como resposta aos desafios contemporâneos.
A homilia evidenciou também a dificuldade humana em acolher a novidade de Deus. Apesar de corresponder às aspirações mais profundas da pessoa, essa novidade pode gerar medo e resistência. Ainda assim, sublinhou, é precisamente nesse “caminho novo” que se encontra a verdadeira realização.
Evocando a história da salvação, da criação à libertação do povo hebreu, o Bispo destacou a Vigília Pascal como o momento em que tudo se cumpre e ganha sentido pleno na Ressurreição de Cristo, apresentada como “noite de luz” que ilumina toda a história humana.
Num apelo direto aos fiéis, D. João Lavrador convidou à vivência concreta do Batismo como transformação de vida. Recordando as palavras de São Paulo, sublinhou a necessidade de deixar o “homem velho” para assumir uma vida nova, renovada pela presença do Ressuscitado.
Essa renovação, frisou, não é individualista, mas profundamente comunitária. “Não há experiência do Ressuscitado no isolamento”, afirmou, destacando a importância da comunidade cristã como espaço de encontro, partilha e crescimento na fé.
A celebração assumiu também uma forte dimensão missionária. O Bispo desafiou os cristãos a levarem a esperança da Ressurreição aos contextos onde persistem sinais de morte, como a guerra, a injustiça, a pobreza e a exclusão, através de um testemunho concreto de vida e de amor.
A concluir, deixou uma mensagem de Páscoa dirigida a toda a diocese, com especial atenção aos mais frágeis, desde doentes, idosos, prisioneiros e emigrantes, apelando a que a alegria da Ressurreição se traduza num compromisso ativo com a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e cheia de esperança.