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Sexta-feira Santa: D. João Lavrador convida ao silêncio, à entrega e à transformação pelo amor
Na celebração da Paixão do Senhor, vivida em ambiente de profundo recolhimento e silêncio, D. João Lavrador desafiou os fiéis a fazerem deste dia um tempo de verdadeira meditação, ligando o mistério da cruz à vida pessoal, comunitária e à realidade do mundo atual.
No início da homilia, o Bispo diocesano destacou o valor do silêncio como linguagem essencial desta celebração. Mais do que a ausência de palavras, explicou, trata-se de uma atitude interior que permite acolher o sentido do sofrimento e da entrega de Cristo, um silêncio que não isola, mas que interpela e une cada pessoa à dor e às esperanças da humanidade.
Durante a sua intervenção, sublinhou que a Paixão de Jesus não é apenas um acontecimento do passado, mas um mistério que atravessa a vida concreta de cada fiel e da própria sociedade. “Somos convidados a integrar este acontecimento na nossa vida pessoal e comunitária”, afirmou, apontando para um caminho de conversão contínua, marcado pela passagem da “vida velha” para uma vida nova.
Recorrendo à figura do profeta Isaías, evocou a imagem do Servo sofredor, aquele que carrega sobre si o mal, o sofrimento e as injustiças do mundo. Nesse sentido, apresentou Cristo como aquele que assume plenamente a dor humana, transformando-a em caminho de redenção. “Ele carrega em si a história do mal e do pecado”, destacou, sublinhando a dimensão universal deste gesto.
Num mundo marcado simultaneamente pelo progresso e por “atrocidades”, D. João Lavrador alertou para a necessidade de olhar a realidade à luz deste mistério, reconhecendo as vítimas das injustiças e das desigualdades.
Neste contexto, apontou o amor como chave interpretativa de todo o acontecimento. Não um amor abstrato ou ideológico, mas vivido na entrega concreta. “Jesus não responde com teorias, mas com a sua própria vida”, referiu, acrescentando que só através da experiência do amor é possível compreender plenamente o sentido da cruz.
O Bispo insistiu ainda na ideia de participação: os cristãos não são meros espectadores, mas chamados a entrar neste mistério. Através da fé e dos sacramentos, explicou, cada batizado é convidado a unir-se a Cristo, participando no seu mistério pascal.
Num tom simultaneamente pastoral e exigente, destacou que este caminho implica reconhecer o drama humano presente na sociedade atual, onde persistem lógicas de dominação, injustiça e indiferença. Em contraste, apresentou o caminho de Cristo como proposta de uma humanidade nova, fundada na dignidade, na fraternidade e na paz.
A concluir, deixou um apelo claro à conversão e à esperança. A Paixão, afirmou, não é um caminho de derrota, mas de transformação. “Não tenhamos medo da conversão”, desafiou, lembrando que é neste percurso, iluminado pelo amor de Cristo, que se encontra a verdadeira renovação da vida pessoal e comunitária.