Procissão do Senhor dos Passos em Viana do Castelo desafia à fraternidade e ao encontro

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A Procissão do Senhor dos Passos voltou a marcar a cidade de Viana do Castelo, reunindo fiéis num percurso de tradição e espiritualidade, este ano centrado no apelo à reflexão e à vivência concreta da fé no quotidiano.

Na Praça da República, o bispo diocesano, João Lavrador, sublinhou o significado do itinerário como caminho interior. “Este percurso convida-nos, antes de mais, ao encontro: connosco, com os outros e com Deus”, afirmou.

Inspirando-se no encontro entre Maria e Jesus Cristo, o prelado destacou o valor do sofrimento como espaço de comunhão. “É na partilha da dor que se aprende a dar as mãos e a viver como irmãos”, disse, apontando este momento como modelo de relação humana marcada pela empatia e pela proximidade.

Numa reflexão centrada nos desafios do mundo contemporâneo, deixou também um alerta contra o individualismo e as divisões sociais. “A fraternidade continua a ser um grande ideal, mas está longe de se concretizar no dia a dia”, referiu, acrescentando que só uma cultura de encontro poderá contrariar a lógica de conflito e isolamento.

Como ideia central da homilia, João Lavrador sublinhou a necessidade de uma transformação concreta da sociedade a partir da responsabilidade individual. “Somos chamados a construir uma nova humanidade, onde a comunhão, o amor e a fraternidade deixem de ser apenas ideais e se traduzam numa paz duradoura, assente na justiça”, afirmou.

A celebração terminou com um convite à vivência ativa da fé, não apenas no contexto litúrgico, mas sobretudo na vida quotidiana, desafiando cada participante a assumir o seu papel na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.