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In Memoriam: Pe. António da Mota Gonçalves
Estando ele e os colegas a terminar o curso de Teologia e a ser ordenado, eu a começar os meus estudos no seminário, tive ao longo da vida uma relação mais próxima com o Padre Mota do que podia imaginar.
Porque veio para uma terra que eu tinha de atravessar a pé para ir a Loureda, desde a minha aldeia natal, para visitar familiares, o que era hábito ao tempo, até por ser meu padrinho que aí se casou, sempre ouvi falar de um grupo de padres jovens, ao tempo, que se reuniam no Chão, em Loureda, para uns jogos de futebol, o que na altura era quase um escândalo.
Mas o João Rebelo, que morreu em Cabreiro, o Agostinho Caldas, que morreu em Monção, o Aurélio, que veio para Padroso, o Zé Campos, que morreu sendo pároco de Sistelo, e o Mota, que depois desceu para Gondoriz e anexas, davam da Igreja um tom jovial.
Depois de crescido, sabia-o pregador afamado, não só ele como o Padre Agostinho Caldas, o que me levou mais tarde a seguir os passos e alternar com eles em algumas solenidades, o que dava muito que falar.
Mas quando, em 1975, ingressei no ensino e fui depois para a Faculdade de Filosofia tirar um curso que me desse mais garantias no ensino, aí encontrei o Padre Mota, que de livros não era ao tempo apaixonado, mas o facto é que, por falta de professores da área, foi meu colega em Educação Musical na Preparatória dos Arcos de Valdevez.
Foi esta escola que mais saudades me deixou, eu que na altura já estava a cursar Humanidades, e depois nos encontramos de novo, ele como professor de Religião e Moral e eu como professor de Português, já com o curso terminado na especialidade, na Secundária dos Arcos.
Era um homem desprendido, bem-disposto, amigo do seu amigo.
Quando surpreendido por um AVC, ainda nos encontramos num casamento a que ele presidiu e eu apenas concelebrei, reparando nas dificuldades que sentia em estar à frente da paróquia.
Regressado ao lar familiar, ainda o visitei e levamos uma prenda coletiva, os antigos colegas e amigos da escola, como professores, o que o emocionou até às lágrimas. Alguns deles estiveram presentes, como eu, no funeral em Mós, e o Salvador disse palavras muito oportunas.
Visitei-o também com um grupo de colegas sacerdotes no lar, em Marrancos, onde passou os últimos tempos da vida terrestre.
Tendo amigos em comum, várias vezes almoçámos em conjunto, ele já na cadeira de rodas, mas sempre bem-disposto, num restaurante onde se juntavam amigos, ao menos anualmente.
Partiu. Os amigos estavam lá.
Agora está com Deus e nós vamos a caminho.
Obrigado pela amizade e pelo bom exemplo.
Descansa em paz.
Por Pe. Manuel Moreira