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In Memoriam: Monsenhor Moisés Quinteiro
Quando iniciava o Curso de Teologia em 1965, Monsenhor Quinteiro ordenava-se de sacerdote e ficava no seminário como formador; na altura dizia-se “prefeito”, como sinónimo de vigilante.
Como era da Ponte da Barca, lembro-me de me dar boleia a partir do seminário, na altura tão preciosa, num Fiat 850 vermelho que então adquirira e que nos trouxe a mim e a outros colegas, porque os trocos do autocarro davam jeito para outras andanças.
Depois da minha ordenação, eu vim para Coura e ele continuou por Barca, sempre ligado, muito ligado ao campo da espiritualidade. Recordo-me de nos ter orientado retiros, ora em Braga, ora em Viana, depois da criação da Diocese em 1977.
Muitas vezes, ao tempo do seu pároco, o Padre Peixoto, de S. João de Vila Chã, onde veio a ser sepultado, nos encontramos, eu ora em tríduos, comunhões solenes, ora na Senhora da Paz. Ele como visita da terra, onde encontramos essa figura mítica e mística que foi o Dr. Avelino de Jesus Costa, a quem se deve o desenvolvimento que hoje o santuário tem.
Monsenhor Quinteiro era muito discreto, de palavras raras, mas sábias, amigo calmo e sempre atento, que usava uma expressão que julgo de invenção do Dr. José Marques, catedrático que foi de História e que já está do outro lado da vida:
— Este também é “nortista”.
Davam uma atenção especial aos que eram, em relação a Braga, cá de cima.
Naturalmente que não esquecemos aqueles sacerdotes que se cruzaram na vida connosco e, sendo embora da diocese de Braga — a que ficamos presos por cordão umbilical, porque lá estudámos quando nos formámos — não esquecemos quem teve vontade de vir dormir o último sono à sua terra natal.
Assim aconteceu com Monsenhor Quinteiro.
Que descanse em paz.
Por Pe. Manuel Moreira