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Catequistas desafiados à mudança: “Não podemos ser cristãos na ilha da nossa paróquia”
A importância da comunhão entre catequistas e do sentimento de pertença à Diocese esteve em destaque na VII Assembleia Diocesana da Catequese, que decorreu no Santuário de Nossa Senhora da Paz, na paróquia de São João Batista de Vila Chã, Arciprestado de Ponte da Barca.
Para o Pe. Paulo Alves, diretor do Secretariado da Catequese da Diocese de Viana do Castelo, uma das principais novidades do trabalho desenvolvido pelo Secretariado passa pela aposta num modelo de trabalho em rede, envolvendo diferentes realidades da Diocese. Este modelo assenta em dois grupos que compõem o Secretariado: “um grupo central alargado, que foi recolher pessoas de diferentes realidades geográficas e espirituais da diocese, e um grupo que representa os catequistas dos diferentes Arciprestados”.
Segundo o responsável, esta forma de organização permite conhecer melhor as experiências e necessidades dos catequistas e adaptar o trabalho desenvolvido pelo Secretariado.
“As propostas que o Secretariado tem por missão levar a cabo devem ser, de facto, um auxílio para que o catequista, na organização do seu encontro de catequese, mas também o grupo de catequistas, na sua vivência conjunta na catequese paroquial e no conjunto da paróquia, possa efetivamente ter os meios mais adequados para desenvolver esta missão”, assume o pároco.
O Pe. Paulo Alves considera, ainda, que o sentido de pertença à Igreja deve traduzir-se numa participação mais ativa dos seus membros, em que existe uma “co-responsabilidade alargada de todos os batizados e, de modo muito particular, daqueles que assumem os desafios na paróquia e na Igreja diocesana”.
“A Igreja é que nos pede a renovação e, a nós, enquanto Secretariado, compete-nos concretizar essa renovação e ajudar os catequistas a concretizá-la”, afirma o sacerdote, para quem essa mudança exige, também, disponibilidade por parte dos próprios catequistas para repensarem a forma como vivem e exercem a sua missão.
Sobre a missão essencial do Secretariado, o sacerdote refere que “consiste em promover o acolhimento desta nova linha de pensamento e, para cada catequista, penso que o central é, sobretudo, cultivar uma atitude espiritual, uma disponibilidade para repensar a forma como exerce a sua missão de catequista ou, se quisermos, uma forma ainda mais simples, uma disponibilidade para a mudança.”
O diretor do Secretariado sublinha, ainda, que a Igreja não pode ser entendida apenas a partir da realidade de cada paróquia, salientando que não se pode “ser cristãos na ilha da nossa paróquia, mas podemos ser cristãos que, vivendo certamente a fé e crescendo na fé numa paróquia concreta, acima de tudo pertencemos a uma Igreja que é uma família de famílias alargada, que é a diocese.”
Por sua vez, o Bispo de Viana do Castelo, D. João Lavrador, destacou a importância destes encontros para reforçar o sentimento de pertença à Diocese e promover a partilha entre os catequistas. De acordo com o prelado, “estes encontros têm ainda mais importância porque permitem reconhecer que fazemos parte de uma Igreja diocesana, que tem este setor pastoral que é fundamental, mas que, também, é importante pela convivência, por partilharem opiniões, por partilharem dificuldades, por partilharem objetivos e sonhos.”
Para D. João Lavrador, é importante que os catequistas se reconheçam como membros de uma comunidade mais alargada e encontrem nessa pertença um estímulo para a sua missão.
O prelado considera que estes “encontros são importantíssimos porque ajudam a que a pessoa saia do seu círculo mais pequeno”, em que “todos os dias se encontra e se reconhece membro da realidade que a Igreja é”.
D. João Lavrador destacou, ainda, a responsabilidade particular dos catequistas na vivência e transmissão da fé, dado que “tudo isso faz parte da vida normal do cristão, mas o catequista tem uma responsabilidade ainda maior, porque é chamado a viver essa dimensão da fé e a transmiti-la no exercício da sua missão”.